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Por Redação 05/08/2017 - 12:18:31   |  Atualizado em 05/08/2017 - 20:16:04
 
“Fui vendido aos 5 anos, de papel passado"...
..."e só fui conhecer sapatos aos 16 anos”
 
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Edson Ferreira da Silva, 58 anos, mineiro de Maripá de Minas | Foto: Redação |

Prazer, Edson Ferreira da Silva 


Seu Edson Ferreira, hoje com 58 anos, conta que não foi fácil chegar até aqui. Nascido em 1959, no município de Maripá de Minas, MG, tinha mais 5 irmãos, e os seus pais não tinham como alimentar a todos. Por isso, vários dos seus filhos foram doados, e seu Edson, como era o menor, foi logo o primeiro. Ele não se lembra como foi feito o negócio, nem como seus pais conheceram o fazendeiro Aníbal Machado, mas se recorda quando foi levado para a distante fazenda.


O pequeno Edson foi levado para ser criado pelo fazendeiro, mas quando chegou na fazenda, a verdade era outra. Edson foi dormir no chão do estábulo, onde eram guardados os arreios dos cavalos. Ele dormia em cima de alguns panos “o cobertor que davam para gente era saco de estopa, o cobertor da época”. Edson só tinha hora para acordar, juntava o gado, tirava leite e candiava boi para lavrar terra. Se vestia com os sacos de milho que sobravam quando a fazenda comprava os grãos. Durante muito tempo essa foi a sua moradia e a sua vida. “Só fui conhecer sapatos quase 10 anos depois, quando fugi da fazenda, porque não aguentava mais. Preferi dormir nas ruas, em cima de carroceria de caminhão, do que continuar naquela fazenda. A gente não tinha roupas, e do saco de milho é que se fazia a roupa pra gente vestir. Não deixavam a gente ir para o colégio, até que chegou um dia que eu preferi fugir, porque não dava mais para ficar na fazenda do Aníbal Machado. Eles judiavam muito da gente, e lá foi tudo muito sofrido. Comi o pão que o diabo amassou com o pé, e o fazendeiro ainda dizia que eu não tinha que ir para a escola, que eu tinha é que trabalhar. Certa noite, carregando cana para o engenho, o carreiro mandou eu ir na frente dos bois que puxavam a cana, mas como eu tinha medo, não quis ir, e então ele enfiou o ferro da vara de tocar boi nas minhas costas, e doeu muito. Quando chegamos, o dono quis saber o porquê daquele sangue todo e mandou o carreiro embora” desabafa Edson.


Aos 15 anos, e não aguentando mais, Edson preferiu fugir e dormir nas ruas, mas tinha que ficar sempre fugindo da polícia porque, segundo ele, “naquela época, em Minas, as crianças não podiam ficar sozinhas na rua depois das 8 horas da noite; a polícia levava, detinham as crianças e só no dia seguinte procuravam os pais”. Certa vez Edson, se escondendo da polícia, subiu numa carroceria de caminhão, e de tão cansado, dormiu esperando a polícia sumir. No dia seguinte “quando o dono do caminhão foi sair com a esposa, viu que tinha alguma coisa se movendo dentro da carroceria, e me acharam, mas dessa vez foi diferente porque me deram café com leite e pão com manteiga. Eu estava há dias sem me alimentar, e estava com muita fome, porque nem sempre tinha o que comer”.


De tanto perambular pelo centro de Maripá de Minas, e já com 15 ou 16 anos, e depois de quase um ano de ter fugido da fazenda do fazendeiro Aníbal Machado, e por conta do acaso, Edson foi reconhecido por Chico Cassiano, encarregado da fazenda vizinha de Aníbal Machado. Chico já conhecia Edson e o reconheceu, acolheu, levou para sua casa, lhe ofereceu banho, alimentos, comprou roupas, e pela primeira vez na vida, Edson usou sapatos. Chico Cassiano também providenciou os seus documentos. Edson passou a trabalhar junto com outros filhos de Chico, mas desta vez tinha local adequado para dormir, tinha comida, roupa limpa, e só não freqüentava a escola, porque não havia transporte público nem transporte escolar como se tem hoje. Chico não tinha condições de levar ninguém para a escola, que era longe, e por isso nem ele e nenhum dos filhos de Chico Cassiano estudavam. Segundo Edson, “a escola era coisa pra rico, era longe, não tinha transporte e o que tinha era caro. Perto da fazenda, o que tinha era um posto do Mobral (Movimento Brasileiro de Alfabetização), mas era à noite, e só para gente adulta”. Edson ficou lá até os 19 anos, o filho mais velho de Chico Cassiano, que trabalhava numa construtora em Juiz de Fora, o levou para ocupar uma vaga. Lá conseguiu tirar a primeira carteira de trabalho, identidade e título de eleitor. Mas nada foi fácil, porque não sabia ler nem escrever. Paulo ensinou Edson a “desenhar” (assinar) seu nome, conseguindo assim  tirar os documentos. Foi cadastrado na construtora e foi trabalhar em São José dos Campos, SP, onde ficou por 4 anos na firma. Geraldo o trouxe para Miguel Pereira, onde trabalhou no Paulo Japonês, em São José das Rolinhas, e depois, no DER. E foi trabalhando no DER que seu Edson reencontrou a família. Roçando a estrada, Edson encontrou seu tio, irmão de sua mãe, que morava em Japeri. Já tinham se transcorridos 26 anos, e em Japeri, seu tio colocou os dois frente a frente. Nenhum dos dois se conheceram, foi quando o tio disse: "esse é seu filho e essa é sua mãe", nunca mais perderam o contato; ela está morando em Campo Grande, no Rio, o tio, ainda em Japeri, e ele em Miguel Pereira.


Seu Edson venceu a vida e o seu destino, um homem de bem, trabalhador, responsável, e que trabalhou por mais de 20 anos como funcionário da Colônia de Férias do Banco Boavista, até ser fechada com o fim do banco. Hoje, aguarda o desfecho de uma ação trabalhista que move contra a Colônia, e enquanto isso, vai levando a vida entre os seus clientes fixos e eventuais.


 

 
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| Edson Ferreira da Silva | Miguel Pereira |
 
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