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Por Sebastião Deister 21/08/2017 - 00:32:46   |  Atualizado em 21/08/2017 - 00:33:05
 
PAES LEME - As Estações Ferroviárias da Linha Auxiliar – II
 
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| Foto: SD |

A ativação da Estrada de Ferro em direção às cidades nascidas ao longo do vale do Rio Santana, a partir de Japeri, obrigou seus idealizadores e dirigentes a avaliar, a princípio, as consideráveis distâncias que separavam as numerosas estações projetadas ao longo dos trilhos, uma vez que as locomotivas a vapor exigiam regularmente cuidadosas vistorias mecânicas, lubrificação adequada de suas engrenagens e novos estoques de água, lenha e óleo após determinada quilometragem, além  de um rápido e indispensável “repouso” em função da reduzida autonomia oferecida pelas suas ofegantes caldeiras.


As medições então efetuadas pela baixada mostraram que o intervalo entre Belém (Japeri) e Sertão (Conrado), com cerca de 19,052 quilômetros, era bastante longo, o que obrigaria as locomotivas a percorrer praticamente vinte quilômetros sem qualquer reabastecimento ou inspeção mecânica, risco que nenhum maquinista gostaria de correr e que os técnicos da empresa não pretendiam assumir.


Sensatamente, a direção da ferrovia optou por erguer no coração daquela extensa planície uma parada que, mesmo mais modesta, pudesse atender as demandas das composições e, simultaneamente, proporcionasse melhores e maiores meios de subsistência aos fazendeiros que mantinham rentáveis criações de gado por aquela área fecunda e cujos vizinhos ali administravam alguns sítios bastante produtivos ligados às terras da antiga propriedade de Belém, da família Paes Leme.


Com efeito, já existia na região uma fazenda bastante próspera pertencente aos descendentes de Pedro Dias Paes Leme, o marquês de São João Marcos (fundador da fazenda), cujos proprietários – Fernando Dias Paes Leme e D. Francisca Peregrina de Souza e Mello Cerqueira Correia – haviam se instalado na área no início da década de 1860 após comprarem várias terras nas proximidades de Sacra Família do Tinguá e nas cercanias de Sertão (embrião de Conrado), o que deu ensejo à continuação e expansão de trabalhos agrícolas e pastoris ali desenvolvidos havia mais de um século e que tinham ensejado, também, o nascimento da atual localidade de Japeri.


Dando continuidade às atividades de seus antecessores, Pedro Dias Paes Leme (homônimo do marquês) e família iniciaram expressivas criações de gado por aqueles férteis pastos e introduziram a fabricação de aguardente e laticínios na bela e extensa baixada, comercializando então seus produtos no Rio de Janeiro. Obviamente, o transporte em época tão longínqua era feito no lombo de mulas de carga ou por carroças e carros tracionados por cavalos e bois, e pela distância até a capital podemos ter idéia das incríveis dificuldades enfrentadas por aquele fazendeiro antes do advento dos trens.


O velho Fernando não viveu para ver a chegada dos comboios à Serra, já que falecera em Vassouras em 1868, mas seus descendentes regozijaram-se com a inauguração da parada ferroviária no dia 12 de agosto de 1903, portanto somente cinco anos depois da implantação da Linha Auxiliar na serra e da montagem, no local, de uma pequena caixa d’água destinada a aplacar a nordestina sede da Maria fumaça. Assim, nascia ali a humilde estação de Paes Leme (sobre o km 80,390 da ferrovia), hoje tão solitária e desprezada quanto suas irmãs serranas.


Paes Leme difere bastante das demais estações ferroviárias da Linha Auxiliar pelo simples fato de se localizar rigorosamente no âmago da chamada baixada miguelense (sua altitude é de apenas 49 metros em relação ao nível do mar) tendo seus trilhos distribuídos de maneira mais harmônica e segura do que em outros pontos das encostas da cordilheira mais à frente, o que é óbvio em virtude da sua topografia bastante plana.


Percorrendo os trilhos entre Japeri e Paes Leme, descortina-se, por um largo espaço, um admirável panorama da baixada miguelense. Uma imensa e verdejante esplanada, serena e ensolarada, aqui e ali pontilhada por árvores robustas e persistentes, serve de palco para os passeios do gado indolente e saudável, criado pelos fazendeiros e sitiantes locais, cujas casas aconchegantes vez por outra quebram um pouco da tranqüila uniformidade do verde repousante.


Acrescente-se, ainda, o fato de que grande parte daquela área encontra-se coberta por uma vasta reserva de eucaliptos e que outras glebas estão sob guarda da prefeitura que pretende ali implantar um condomínio industrial.


Paes Leme é o primeiro e mais expressivo logradouro do município de Miguel Pereira – no sentido de quem viaja do Rio de Janeiro para a Serra – e em sua periferia situam-se os limites geográficos do território miguelense com o recém-emancipado município de Japeri.


Na próxima edição: Estação de Conrado (antiga Sertão)

 
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| Sebastião Deister | Paes Leme | Miguel Pereira |
 
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