Agricultor monta barraca onde os clientes é que pagam e fazem o troco

Na barraca também tem a caixinha do troco. Um casal de Itajubá comprou um saquinho de feijão que custou R$ 4,50, e como só tinham uma nota de R$ 5,00 colocaram no caixa e pegaram R$ 0,50 no troco,

29/01/2017 Comércio

Em Delfim Moreira, município mineiro, o sitiante José Cláudio, engenheiro aposentado, deixa os produtos (todos com preço unitário) na barraquinha e sem ninguém tomando conta. São os clientes que pegam, pagam e até fazem o troco, tudo sozinho. São doces, refrigerantes, frutas, hortaliças, legumes e ovos, tudo orgânico. No início, os moradores acharam estranho e nunca tinham visto uma venda desse jeito, mas as próprias plaquinhas já explicavam a ideia. Nelas, o dono diz que precisa vender, que é só pegar e pagar, e para isso ele confia na honestidade das pessoas, e a última plaquinha diz que “você não está sendo filmado”. Um garoto, Lucas, chegou para comprar refrigerante e balas e já se acostumou com a barraca sem ninguém.

Na barraca também tem a caixinha do troco. Um casal de Itajubá comprou um saquinho de feijão que custou R$ 4,50, e como só tinham uma nota de R$ 5,00 colocaram no caixa e pegaram R$ 0,50 no troco, Silvia Helena passou no dia anterior e não acreditou, e então voltou no dia seguinte para constatar que era verdade e comentou “nos dias de hoje é realmente interessante demais”.

A barraca foi idealizada pelo sitiante e engenheiro aposentado, José Cláudio, que passa o dia todo na horta plantando para poder ter produtos para vender aos clientes. Ele planta de tudo um pouco, se diz sonhador e como disse que já tinha ouvido falar de ideias parecidas em outros países, resolveu arriscar. Segundo ele, “estou vendo com bons olhos, acredito e tenho certeza que esse é um dos caminhos para que a gente reverta a imagem de que o brasileiro é desonesto” disse José Cláudio.

A esposa do José Cláudio, Dona Maria de Fátima, só soube quando já estava tudo pronto, e não acreditou “ahh isso não vai rolar”. Mas parece que vai dar certo sim, pois todo fim de tarde o dinheiro está lá na caixinha. A ideia tem mexido com as pessoas, como o caso do empresário Alfredo Cantelmo; “achei isso uma ideia fascinante, e seria muito interessante se essa moda pegasse” disse o empresário. 

No Rio de Janeiro

No centro do Rio de Janeiro, na sobreloja do Edifício Garagem Menezes Cortes, tem uma loja que se especializou em cafés de exportação e adota um princípio parecido, ou seja, depois de escolher o café que vai levar, a atendente apenas informa o custo que aquele produto tem para a loja e o próprio cliente estipula quanto vai pagar.

Segundo a gerente da loja, essa forma é uma tendência e já existe em diversos estabelecimentos comerciais no Rio e no mundo. “Fazemos parte desse movimento,  não nos arrependemos e já deu certo”, disse ela.