Cartel do preço da gasolina?

A diferença de preços dos combustíveis entre a região e municípios mais distantes é gritante e vem de há muito tempo

11/08/2017

A discussão sobre o preço dos combustíveis na região de Miguel Pereira, Paty do Alferes, Vassouras, Mendes e Paulo de Frontin vai muito além do reajuste de preços que ocorreu nas últimas semanas, e é mais antiga do que se imagina. É um problema recorrente que precisa ser enfrentado.

A diferença de preços dos combustíveis entre a região e municípios mais distantes é gritante e vem de há muito tempo. Cerca de 80% dos taxistas de Miguel Pereira usam gás, mas estão acostumados a fazer dezenas de viagens por mês para todo o estado, e ficam abismados com a diferença do preço que é praticado na venda dos combustíveis fora da região. Exemplo disso é o taxista Jorginho da Rodoviária, que frequentemente vai ao município de Três Rios e garante que lá o preço está em torno de R$3,69 (Posto Shell), enquanto que em Miguel Pereira o preço varia no valor de R$4,57 e R$4,59. “Eu não uso gasolina, mas meus clientes usam e ficam abismados por ser muita diferença para tão pouca distância; são R$88,00 para cada 100 litros” disse Jorginho.

Nota fiscal da gasolina

A discussão está tão intensa que essa semana a empresária Karina Azevedo postou nas redes sociais a foto da nota fiscal do combustível, marca Ipiranga, retirado da Refinaria de Duque de Caxias, a menos de 90 km de Miguel Pereira e sem pedágio. A NF veio com o valor que a gasolina comum e a aditivada chega para posto Ipiranga Styllos, ou seja, R$4,0160 para a aditivada e R$3,9620 para a gasolina comum. Sobre esses valores incide ainda toda a carga tributária imposta pelo governo federal ao consumidor brasileiro, que é, aliás, a parte comum entre todos os postos de combustíveis. Karina demonstrou que se há cartel, não é feito pelos postos da região.

Empresária faz cobranças à Ipiranga

Karina desabafa: “o todas as nossas contas, pagamos vários impostos e tributos, como IRPJ, CSSL, FGTS, INSS, PIS e COFINS (são alguns deles), além dos sindicatos, Ibama, Inmetro e várias outras exigências.” garantiu Karina. 

Consumidores revoltados

Mateus é um vendedor de planos de saúde que atende o interior, e é um dos que fazem parte da legião dos revoltosos. “Todas as vezes que tenho que encher o tanque em Miguel Pereira ou Paty, preciso desembolsar mais de R$200,00. Me sinto lesado, enganado e roubado, pois não ganho para pagar gasolina. Estou seriamente repensando em mudar de ramo porque não está sobrando nada no final do mês, já que a minha maior despesa é exatamente a gasolina,” disse ele.

Nota da Redação

Esse problema do preço do combustível em Miguel Pereira é recorrente e vem de décadas. A apresentação da Nota Fiscal pela empresária Karina demonstra que dificilmente há cartel entre os postos no município, entretanto, o caso precisa ser investigado e cobrado da distribuidora uma resposta convincente, porque a diferença é muito expressiva para os postos de municípios vizinhos. Nossa região é eminentemente turística e esse preço em nada ajuda o esforço que o município vem fazendo para implementar o setor de serviços da cidade. O Ministério Público deve assumir as investigações e punir quem está prejudicando a cidade, a sua economia e os seus cidadãos.