"Usei droga dos 15 aos 20 anos"

Um depoimento emocionante e "o CAPs e os livros da Estante têm me ajudado muito", disse Lucas

Usei drogas dos 15 anos aos 20 anos, foram 5 anos de muita dor; conheci os dois lados: fui criado em lar cristão e já fui muito em favela buscar droga. Como quase todo jovem, conheci a droga dentro da escola. Era um colega, uns dois anos mais novo que eu; o pai possuía uma situação financeira muito boa e vinha pegar o filho de 15 em 15 dias e, quando ele subia para entregar à mãe, o filho enchia os tênis de maconha, vinham abarrotados e, como era um carrão, nunca houve problema na polícia. Foi ele que me apresentou e passou a ser meu fornecedor. Era um estudante acima de qualquer suspeita.

O dia que eu não fumava maconha eu não dormia, todo viciado é assim. Eu sempre trabalhei pra sustentar meu vício, trabalhei em um sítio, jornal, Sky, vendedor de colchões e restaurante. Eu não tinha paz nenhuma, eu não conseguia levar minha vida pra frente; às vezes queria fazer alguma coisa, mas a droga não deixava. Um dia, cheguei pra minha vó e disse que queria parar de usar drogas, então ela me levou no CAP's e há três meses comecei o tratamento que vai durar 6 meses, estou no terceiro mês e estou bem. Uso meu tempo para ler e escrever um livro, leio muito e a Estante Popular do Saber, na Rodoviária, tem me ajudado muito. Todo mês vou e pego livros de todos os tipos.

Professor Nicolau

Aliás, esse gosto pela leitura eu devo ao professor Nicolau. Ele era um professor diferente e interativo, levava sempre conteúdo novo, uma forma nova de ensinar, quando era não um clipe, era uma música, e trabalhava em cima disso; todos os alunos gostavam dele, não faltava um. Lembro-me como se fosse hoje do primeiro livro que o professor Nicolau nos deu: era o livro "Ana e Pedro", eles não se conheciam, mas se correspondiam por carta. Um dia eu tirei 6,8 na sua prova e disse a ele que tinha ficado satisfeito. Ele pegou minha prova, refez a nota, me deu zero e tive que fazer a prova novamente. Resultado: tirei nota 10 e ele me disse que "você é aluno de 10 e não 6,8"... professores assim a gente nunca esquece. E são os livros que estão me ajudando a sair das drogas. Espero que esse depoimento e o livro que estou escrevendo possam ajudar tantos outros que precisam de ajuda.