A Emancipação - Parte 2

Os números e votos dos eleitores da emancipação

21/10/2018

Ao longo de 63 anos de proficiente existência como município independente de Vassouras, Miguel Pereira contou com a gerência direta de apenas 10 administradores que, no entanto, perfazem 17 gestões executivas pelo fato de Frederico Augusto da Senna Wangler (Fritz), José Antônio da Silva (Zé Nabo) e Manoel Guilherme Barbosa (Nelzinho) terem sido privilegiados pelo povo com dois mandatos na Prefeitura cada um, além dos quatro períodos executivos de Roberto Daniel Campos de Almeida (Macarrão). Houve ainda um interregno de 2 meses de governo coberto pelo Dr. Eugênio Albino dos Santos que, na qualidade de vice-prefeito, assumiu a cadeira do titular Zé Nabo quando este precisou se desincompatibilizar do cargo, em 1963, para ser empossado como deputado na Assembleia Estadual. Além deles, naturalmente, lembramos as administrações de Aristolina Queiroz de Almeida, Fructuoso da Fonseca Fernandes, Antônio Arantes Alves Filho, Dr. Fernando Pontes Moreira, Cláudio Viana Valente e o atual comando de André Pinto de Afonseca.

Até a auspiciosa data de sua emancipação, Miguel Pereira estivera sob a tutela de Vassouras, liberando-se deste município através de um plebiscito realizado no dia 15 de novembro de 1954, ocasião em que o professor Cornélio José Fernandes Neto exercia o cargo de prefeito vassourense. Exatamente 1.721 eleitores compareceram às urnas distribuídas em Miguel Pereira, Governador Portela e Vera Cruz, surgindo desse sufrágio:

Os votos dos eleitores da emancipação:

Sim

Não

Nulos

Branco

Total dos votos

1.683

30

3

5

1.721

97,8%

1,7%

0,2%

0,3%

100%

 

Assim, no dia 25 de outubro de 1955, Miguel Couto Filho, então Governador do Estado do Rio, assinava a Lei nº 2.626, criando oficialmente o Município de Miguel Pereira, responsável pela guarda territorial e administrativa das localidades de Governador Portela (na qualidade de 2º Distrito), Arcádia, Santa Branca, Francisco Fragoso, Barão de Javary, Vera Cruz e Marcos da Costa, Cilândia, Monte Líbano, São José das Rolinhas, Alto do Catete, Cruz das Almas, Vale das Princesas, Lagoa das Lontras e Sertãozinho.

Conrado somente seria anexado à jurisdição miguelense através de outro plebiscito, sendo de pronto agraciado com a titulação de 3º Distrito pela Lei nº 1.253 de 14 de dezembro de 1987, fazendo-se então acompanhar dos bairros Paes Leme e Mangueiras. Com isso, a antiga área de 297 km2 do Município ampliava-se para 330 km2.

A Criação da Comarca

Com a instituição oficial da Comarca de Miguel Pereira pela Lei nº 1.894, de 26 de julho de 1956, implantava-se no novo Município a base jurídica apta a legitimar e sustentar suas primeiras eleições. Tal sufrágio foi realizado no dia 3 de junho de 1956, tendo como candidatos ao cargo máximo da cidade os senhores Frederico Augusto da Senna Wangler (Fritz), Francisco Marinho Andreiolo e Dr. Carlos Leite, médico que trabalhava ao lado do Dr. Virgílio Miguel Pereira na Clínica São Miguel instalada no centro da cidade.

A campanha eleitoral, uma agitada novidade nas pacatas ruas de Miguel Pereira e Governador Portela, foi bastante renhida, com os três postulantes ao cargo procurando manter um alto nível de originalidade em seus planos, debates e comícios, deixando bem claro para a população o fato de serem adversários políticos e não inimigos figadais em busca de láureas pessoais. Assim, confrontava-se a validade de alguns programas administrativos para o Município, alternavam-se propostas de urbanismo, propunham-se ideias mais criativas para o fomento do turismo na região, discutia-se o incremento da educação e da saúde, por vezes ironizava-se uma frase mal proferida por um candidato a vereador, mas jamais se percebia nos contendores o deboche, a injúria, a falta de respeito e o crônico cinismo com que somos obrigados a conviver nas campanhas políticas atuais.

Para o povo serrano, a escolha entre homens gabaritados e apaixonados pela nossa terra tornou-se muito difícil, porém Miguel Pereira via-se muito bem servida de candidatos, com o resultado do pleito afigurando-se totalmente imprevisível. De qualquer forma, Frederico Wangler, o popular Fritz ? tendo a escudá-lo o prestígio do portelense Antônio Valente na condição de vice ? fez valer seu passado político, sua forte reputação pessoal e sua experiência em administração pública, elegendo-se como primeiro prefeito do Município de Miguel Pereira, tendo a acompanhá-lo uma Câmara Municipal que equilibrava satisfatoriamente, entre seus nove componentes, os representantes indicados por Miguel Pereira e Portela.

Prefeito e vereadores tomaram posse no dia 21 de janeiro de 1957 na sede do Miguel Pereira Atlético Clube (então localizada à rua General Ferreira do Amaral), em meio a uma solenidade assistida por expressiva parcela da população. Os festejos foram coroados, à noite, com um lauto banquete no Hotel Summerville.

À falta de espaços próprios, a primeira prefeitura de instalou-se em um prédio do sr. Francisco Teixeira, localizado no Largo da Vitória, a meio caminho para Portela. Por seu turno, a Câmara Municipal alojou-se na sede do Estrela Futebol Clube, à rua Francisco Alves, enquanto o Poder Judiciário era alocado em dependências bem simples junto à sede do Miguel Pereira Atlético Clube.

A 1ª Câmara Municipal de Miguel Pereira

O primeiro corpo legislativo de Miguel Pereira compunha-se dos seguintes vereadores, com mandato entre 21 de janeiro de 1957 a 30 de janeiro de 1959:

1. Francisco Ramos Bernardes (Chico) ? Presidente de 21.01.1957 a 30.01.1958

2. Antônio Soares Vieira ? Vice-presidente

3. Professora Aristolina Queiroz de Almeida ? 1ª secretária

4. Oswaldo Duarte dos Santos (Vavá) ? 2º secretário

5. Professor Darcy Jacob de Matos ? Presidente de 01.02.1958 a 30.01.1959

6. Álvaro Vieira Caria

7. Américo Villela

8. José Antônio da Silva (Zé Nabo)

9. Paulo Florentino Lebre


Na foto trata-se da 2ª Câmara, com mandato de 31 de janeiro de 1959 a 30 de janeiro de 1963 durante a gestão de Zé Nabo.

De pé, da esquerda para a direita: 

1) Regy Alves de Araújo Lima;

2) Abelard Teixeira de Carvalho;

3) Francisco Ramos Bernardes e

4) Odilon Soares Vieira.

Sentados, na mesma ordem:

5) Helena Cavalcânte do Nascimento;

6) Adalmar Corrêa da Silva;

7) Professor Darcy Jacob de Matos;

8) Venícius Ferreira Gomes e

9) Corintho de Almeida e Silva.