Da Sociologia ao shitake

O sítio de veraneio virou residência e surgiu a produtora de shitake: "estou descobrindo uma outra vida"

17/04/2020 Agricultura Edição 290

Edileuza Santana Lobo, doutora em Ciências Sociais pela UERJ, lecionou História, Filosofia e Sociologia e atualmente é professora no Colégio Estadual Aragão Gomes, no centro de Mendes.

O Sítio Santa Felicidade, no bairro Aninha Moura em Javary, foi adquirido em 2008 juntamente com o marido, professor de matemática. Eles moravam no Rio e resolveram adquirir um lugar para morar depois da aposentadoria. O sítio era usado apenas nos fins de semana, mas, depois de problemas de saúde e do falecimento do marido, Edileuza decidiu "chutar o balde" para a vida acadêmica e se mudou definitivamente para Miguel Pereira, deixando a carreira de professora universitária para trás, transferindo a matrícula de professora da rede estadual para o colégio em Mendes.

Em 2017, a professora se interessou em conhecer mais sobre o cultivo do cogumelo shitake. Conheceu o grupo de produtores Gnomos do Vale e o Sr. Sakae, de 70 anos e filho de japoneses, foi o grande incentivador e responsável por passar as técnicas do cultivo. Em novembro de 2018, Edileuza e o filho começaram a produzir juntos - ele fica na parte do cultivo e ela na comercialização e nos mutirões do grupo -, tendo clientes em Paty e Miguel Pereira, além de fornecerem para duas empresas ligadas à produção de alimentos.

Festival de Shitake

O Festival de Shitake é organizado pela Aprovac - Associação de Produtores Orgânicos e Agroecológicos do Vale do Café e acontece todo ano em Paulo de Frontin. O festival faz parte do calendário do município. Ano passado foi em 6 de julho, ele acontece sempre no inverno.

Segundo a professora Edileuza, "A produção está indo bem, mas não tenho grandes ambições. É uma produção familiar, nosso shitake é cultivado de forma artesanal dentro dos parâmetros da cultura orgânica. Estamos no processo de certificação, que agora infelizmente está paralisado. O shitake é um produto sazonal, ele gosta muito do frio, por isso no inverno nossa colheita é mais abundante. Eu comecei este negócio por gostar de alimentação saudável, sempre fui ligada nisso. Buscava algo que me ajudasse com os custos da manutenção do sítio. Eu vendo aqui em Miguel Pereira, tenho uma clientela razoável que aprecia o produto, sendo a maior parte consumidores individuais, mas já forneço para duas empresas ligadas à produção de alimentos. Vendo bastante para o pessoal da aula de yoga, da escola em que trabalho em Mendes, na feirinha de Miguel e através de uma amiga. Eu sou professora, ainda não me aposentei, mas estou descobrindo outra vida", concluiu a professora.

O contato do Sítio Santa Felicidade é (24) 98133.9446 (WhatsApp).