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A reforma agrária nos EUA

A reforma agrária é uma necessidade do sistema capitalista. Ela foi um instrumento poderoso do povo norte-americano para desenvolver sua indústria a partir do século 19

Edição: 299
Data da Publicação: 03/07/2020

Até 1860, a economia colonial brasileira produzia a mesma coisa que a economia colonial norte-americana. Aqui era café e lá era algodão. Aqui coroa dava as terras em concessão de uso para grandes capitalistas que vinham da Europa e que compravam escravos que trabalhavam para eles de graça, e assim fizeram as fortunas que estão no Rio e em São Paulo. Lá as terras eram dadas, em módulos de 10 hectares para quem morasse e produzisse na terra por 10 anos. Aqui somos vítimas de 400 anos de escravidão.

O capitalismo é incompatível com a escravidão

Lá nos Estados Unidos, emergiu uma classe industrial no norte, e eles perceberam que o desenvolvimento do capitalismo é incompatível com a escravidão, porque os trabalhadores escravos não têm renda.

 

Lincoln decretou a reforma agrária

 

Os americanos do norte resolveram o problema da escravidão com a Guerra da Secessão. E quando Lincoln percebeu que ia ganhar a guerra, ele decretou, e o Congresso aprovou, uma lei de reforma agrária. O nome em inglês seria o direito de habitação, nome bonito para uma lei de reforma agrária.

 

Como foi a reforma agrária nos EUA

 

E qual foi o exemplo que o Lincoln nos deu para a reforma agrária e que os nossos burgueses aqui não copiaram? Primeiro, todo cidadão que morasse nos Estados Unidos - todos - tinha direito a ter 100 acres, que equivale mais ou menos a 67 hectares (670.000 m²). Ou seja, você quer ir lá trabalhar na terra? O Estado garante 67 hectares. No entanto, você tinha que morar e trabalhar, relatou.

E essa distribuição foi autônoma. Por isso que se vê em filmes aquelas caravanas de carroças, pois as pessoas iam marcando os 100 acres. Depois de dois ou três anos, você comprovando que morasse lá, vinha o Estado e dava o título.

 

Três milhões de beneficiados

 

Essa foi a reforma agrária, e o efeito disso foi que, vencida a Guerra da Secessão e com o fim da escravidão, distribuíram as terras para todo mundo e três milhões de famílias produtoras foram beneficiadas. Isso criou um mercado consumidor fantástico para a indústria dos Estados Unidos. Por isso, tiveram que desenvolver as linhas de trens para levar insumos e trazer de volta a produção - o gado, o trigo -, e os Estados Unidos se transformaram, em 30 anos, em uma potência industrial e agrícola ao mesmo tempo.