Disforia Pós-Coital

O ápice do prazer envolto na solidão do vazio

 15/10/2021     Sexologia      Edição 367
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As relações sexuais são seguidas, geralmente, por uma sensação de relaxamento e bem-estar. Entretanto, para uma parcela significativa das mulheres, nem sempre é assim.

Recebo com certa frequência relatos de mulheres que são tomadas por sentimentos negativos sem qualquer motivo aparente após atingirem o orgasmo. Esta onda de tristeza, frustração, sensação de vazio ou medo do abandono que inunda algumas pessoas depois de praticarem o sexo, mesmo que ele tenha sido altamente prazeroso e com o parceiro desejado, tem um nome: disforia pós-coital ou depressão pós-sexo.

Em 2015, a revista The Journal of Sexual Medicine publicou um estudo sobre o tema focado exclusivamente nas mulheres, com resultados expressivos. Nesse trabalho, 46% das mulheres admitiam ter sentido sintomas de disforia pós-coital pelo menos uma vez na vida, 22% diziam sofrê-la de maneira mais habitual e 5% a haviam experimentado várias vezes no mês anterior ao estudo.

Recentemente, a revista The Journal of Sex & Marital Therapy publicou um estudo feito pela Universidade Tecnológica de Queensland (Brisbane, Austrália) que revelou que os homens também sofrem desse transtorno. A pesquisa, que incluía mais de 1.200 homens de diferentes países, chegou à conclusão de que 41% dos participantes haviam experimentado em algum momento de suas vidas essa tristeza passageira depois de transar.

Sabe-se que a disforia pode estar relacionada a um processo hormonal na amígdala neural, estrutura do cérebro responsável por regular nossos sentimentos e emoções, segundo explicou o médico Fernando Rosero, especialista em saúde sexual.

Entretanto, é clarividente que o problema está intimamente relacionado ao estresse psicológico, imperativos morais ou fatores culturais a que mulheres, principalmente, são submetidas durante a vida. Certo é que uma educação sexual muito opressiva é uma ponte sem obstáculos para a disforia e para uma vida sexual mais dolorosa.

Você já vivenciou isso na sua vida? Compartilha a sua experiência comigo?

Fonte: El País

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