A perda e a libido sexual
O que cabe dentro de um luto?
02/09/2022
Sexóloga Clarissa Huguet
Edição 413
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Vivemos inúmeras perdas durante nossas vidas, de diferentes
importâncias e com intensidade de dores distintas. Como quantificar o tempo
necessário para que uma pessoa que está vivendo as dores de uma perda possa se
doar a outra? Possa trocar, seja capaz de empreender um esforço genuíno com a
energia e a entrega para outra pessoa da forma desejada?
Não há resposta "certa" para esta pergunta, simplesmente
porque somos seres únicos em nossa individualidade. Cada um vive seu luto de um
jeito particular e no seu próprio tempo.
"Ah, mas o meu parceiro (a) está pressionando, porque já não
fazemos sexo há xxxx meses". Não existe sexo por pressão, ou melhor, existe sim,
mas não deveria. Sexo (em seu sentindo amplo) é acordo de vontades,
consentimento mútuo, respiração e tesão alinhados.
Nesses momentos penosos e dolorosos que todos vivemos, cabe à
parceria aguardar pacientemente, com empatia e carinho, até que o outro esteja
psicologicamente e fisicamente pronto novamente para se doar, para se entregar.
Não há nada mais sexy do que um cafuné, uma massagem nos pés
e um beijo sem esperar que o sexo venha à rebote. Um beijo nos lábios, na
bochecha, aquele beijinho só para que a pessoa saiba que você está ali,
disponível para ela em suas necessidades durante a vivência do luto. Isso sim é
apaixonante.
Desejo que você encontre parcerias assim durante a caminhada
da vida; e que seja assertiva, se está vivendo situação oposta à descrita acima;
que consiga dizer que não é o momento e que você precisa de outro tipo de
carinho. Deixo aqui meu beijo e um abraço apertado em quem estiver passando por
isso agora.
Foto: @karpushenko_gallery