Como anda o seu repertório de prazer?

O que eu mais escuto e recebo por aqui são queixas de que o sexo perdeu a graça, o desejo diminuiu, quando não acabou por completo, e que quando acontece, o prazer é quase nulo.

 11/06/2021     Sexologia      Edição 349
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Alguém se viu aí nesta descrição?

Quando foi a última vez que você tocou a sua parceria? Tocou sem pressa cada cantinho do corpo dela? Se perderam um no olhar do outro? Se preparou, escolheu aquela música que sabe que ela gosta (ou deveria saber), preparou o ambiente com velas ou uma luz baixa, separou aquele óleo de massagem bem cheiroso...

Não se lembra? Pois é, o script decorado do passo a passo metódico e monótono da relação sexual aniquila o poder criativo, corta a conexão entre os corpos, levando embora aquela intimidade gostosa que um dia existiu. Aquele esforço natural do início dos relacionamentos quando a conquista ainda é a mola propulsora vai dando lugar a relações sexuais sem mistérios, com caminhos previsíveis e já trilhados centenas de vezes.

Investir em um repertório de prazer diferenciado deveria ser uma preocupação constante dos casais em relacionamentos monogâmicos. Nestes acordos de monogamia e exclusividade, há uma tendência maior das coisas esfriarem e o sexo cair neste limbo meio cinzento. Não estou levantando bandeira pró relacionamentos não monogâmicos, mas apenas constatando um fato percebido por mim na minha estrada como educadora sexual.

Sejamos honestos; o que mais vemos por aí é uma explosão de relacionamentos extraconjugais e/ou casais que não mais se relacionam de fato e acaba cada um se virando como pode. Normalmente, a mulher abstrai, esquece que tem uma vulva e enterra a sua sexualidade em uma gaveta. Já os homens que se mantêm fiéis ao compromisso conjugal de exclusividade, acabam apelando (ainda mais) para o pornô. O resultado? Ambos infelizes e aprisionados em uma relação morna e não atrativa.

E aí, como faz então para sair deste turbilhão de mesmice na relação? O que vocês já fizeram nos seus relacionamentos que gostariam de compartilhar? O que pensam em fazer, mas ainda não colocaram em prática? Vamos costurar aqui uma colcha de ideias para ampliar o repertório de prazer com as experiências de vocês?

Imagem: @peppertogether

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Clarissa Huguet é bacharel em Direito, mestre em Direito Internacional pela Universidade de Utrecht, pós-graduada em Educação Sexual pela UNISAL e idealizadora do perfil no Instagram @sexualize_se