Hoje o SASE está muito diferente da instituição que foi um dia. A nova administração vem modernizando e humanizando o atendimento aos idosos, tornando o ambiente o mais familiar possível
?O SASE não recebe quaisquer tipos de recursos públicos de nenhuma das prefeituras. Ele vem se mantendo com 70% do salário mínimo de alguns idosos e com a ajuda voluntária de poucas pessoas que estão ajudando a mudar a história da instituição?.
18/11/2016
Cotidiano
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Há 11 meses, o SASE (Serviço de Assistência Social Evangélico) de Paty tem novo administrador, Daniel Cavalcanti, 37 anos, oriundo do SASE Nacional e que está colocando a instituição no seu papel, e para o qual foi fundada. Hoje, o SASE está muito diferente da instituição que foi um dia e que recebia muitas críticas. A nova administração vem modernizando e humanizando o atendimento aos idosos e tornando o ambiente o mais familiar possível. Hoje dispõe de circuito interno de câmeras que pode ser acessado remotamente de qualquer local, incluindo gravações de imagens. Com capacidade de receber 40 abrigados, hoje ela tem quase 40 idosos, capacidade essa que a instituição pode atender atualmente. O SASE existe há 60 anos e o de Paty do Alferes há pelo menos 40. Apesar de ser a única instituição que atende aos idosos carentes e sem recursos das duas cidades, inclusive abrigados por determinação da justiça de Paty do Alferes e Miguel Pereira, não recebe quaisquer tipos de recursos públicos de nenhuma das duas prefeituras. O SASE vem vivendo com 70% do salário mínimo de alguns idosos e com a ajuda voluntária de poucas pessoas que estão ajudando a mudar a sua história. Daniel também faz parte do Conselho Municipal dos Direitos do Idoso de Paty, órgão que discute a política municipal de saúde do município.
1. Daniel, o SASE atende aos idosos carentes de Paty e de Miguel Pereira. Ele recebe algum recurso ou apoio das prefeituras?
Não recebemos nenhum recurso público, apesar de prestarmos um serviço público.
2. Com que recursos o SASE pode contar?
O SASE vive hoje de doações de particulares e das que vêm do juiz quando o idoso tem direito de receber através da LOAS (Lei Orgânica da Assistência Social), que hoje é de 880 reais. Desse valor, só podemos utilizar 70%, e os outros 30% são para uso do idoso. Hoje são cerca de treze nessa situação e alguns particulares que podem chegar até R$ 1.500,00.
3. Daniel, como o SASE consegue viver com tão pouco recurso?
No começo foi muito difícil, quase desanimador, mas o desafio e a fé me mantiveram aqui. Tive que gritar por socorro e veio um, esse trouxe outro e assim temos conseguido sobreviver bem melhor do que quando cheguei, mas ainda falta muito, mas vamos vencer.
4. O senhor pode contar com essas doações todos os meses?
Algumas sim e outras não, pois a maioria é eventual e isso nos deixa muito inseguros. Se tivéssemos algo certo, poderíamos assumir compromissos maiores. Hoje não podemos. Poderíamos ter até mais abrigados, mas não vou assumir um compromisso desse tamanho e comprometer todos os outros que estão aqui e que queremos atender de forma humanizada.
5. Eu sei que os parceiros pedem para não se identificar, mas há algum que o senhor pode nos contar?
Pois é, mas respeitamos o anonimato de todos aqueles que nos ajudam. Esta semana ganhamos um bebedouro novinho, lindo, foi uma benção e agradecemos muito por isso. Por outro lado, posso falar que o piso da sala quem doou foi a Fraternidade Patiense. A pracinha de pneus foi feita pelo Elísio Carvalho, servidor da prefeitura de Miguel Pereira, que doou seu tempo livre para fazê-la e ajudar na humanização. O ITPA de Miguel Pereira, através do André, do Rotary Club e do Diogo (ITPA) fez com que o Maurício Ruiz (fundador presidente) ajudasse o SASE doando e colocando uma grade de proteção, além de ter nos ajudado a fazer uma enorme arrumação em nossa área externa. Temos o apoio da SAF (Sociedade Auxiliadora Feminina) do Presbitério Serra Azul da Igreja Presbiteriana do Brasil, com doação mensal de carne retirada no Bramil de Miguel Pereira. A igreja evangélica Casa de Oração de Arcozelo faz uma doação mensal de material de limpeza. A Fraternidade Patiense nos ajuda com doação mensal de frangos. Um doador anônimo faz compras no mercado Fernandes e manda entregar no SASE. Outro doador anônimo doa mensalmente fraldas e material de limpeza. O Léo, proprietário do Prepare-se Com Cursos, tem um curso de “cuidador de idosos”, e como Miguel Pereira e Paty, possuem muitos idosos que precisam de pessoal qualificado, firmamos um convênio onde o seu aluno estagia aqui, aprende muita coisa na prática, como por exemplo, a desengasgar um idoso, fazer uma “manobra”, e ao mesmo tempo atende nossos idosos aqui do SASE. Isso tem sido excepcional, é um compromisso com o qual podemos contar durante todo o ano. Isso é muito importante para nós. A justiça nos ajuda indicando o SASE para receber as cestas básicas que eventualmente os sentenciados têm que pagar. Também estamos cadastrados no banco de alimentos do Ceasa de Paty do Alferes e recebemos doação mensal de um valor simbólico da Casa de Oração de Vista Alegre, que é muito bem vinda. Qualquer ajuda, doação de qualquer valor é sempre bem vinda.
6. Como foi a ideia do “kit idoso”?
Também foi ideia do Léo, que propôs a criação de “apadrinhe um idoso”. Com isso veio a ideia de fazermos um “kit” com os produtos de higiene que cada idoso consome no dia a dia e não pode faltar. É um valor acessível (142 reais) podendo se dividido por até três doadores (48 reais para cada um dos três doadores de cada kit), mas que multiplicado por 40 é muito para nossa instituição. Nos ajudaria muito.
7. Esse “kit idoso” é composto de quais produtos?
Dersani Hidrogel 85g, óleo Dermaex 100 ml, Asseptcare 10 mg, Sol spray 50 ml, Protexlíq 250 ml, Soro Fisiológico 500 ml, Herika gaze 10 un, Cremer fita fralda branca, J&J talco 200gr, Palmolive 350 ml, Palmolive cond. 350 ml, desodorante e pasta de dente.
8. No kit não tem fralda?
É que a fralda na farmácia é cara, custando 18 reais com apenas 7 unidades e um idoso gasta até 4 fraldas por dia. Em Paty há um depósito de fraldas onde 50 fraldas tamanho G saem por 65 reais e 42 fraldas GG saem por 48 reais. Uma máquina de fraldas seria um sonho.
9. Todos que prestam serviços no SASE são contratados?
Quem dera. Se não fossem os voluntários como o Dr. Humberto e a Dra. Nilcéa (médicos), não sei o que seria; um vem em uma semana e o outro na semana seguinte. Eles vêm, fazem os acompanhamentos, a evolução, a rotina médica e passam para a enfermagem. Temos uma enfermeira também voluntária que veio através do Prepare-se Com Curso. Dona Marieta, com mais de 80 anos, que foi gestora por 26 anos e hoje a convidei para ser minha conselheira, onde doa seu tempo para esta grandiosa missão que é cuidar dos nossos idosos. Lidia Cristina (Assistente Social), por exemplo, começou como voluntária e hoje estamos em processo de contratação. Com isso, criamos nosso espaço do Serviço Social e Responsabilidade Técnica para melhorar nossa forma de trabalho.
10. Hoje quantos são os funcionários contratados com carteira assinada (higienizadores, cuidadores, técnicos em enfermagem, cozinha, auxiliar de manutenção)?
São 13 com carteira assinada e mais 6 voluntários (médicos, enfermeira e fisioterapeuta).
11. Como funcionam os voluntários?
Quando eu posso, eu chamo e converso com o voluntário. Eu tenho um teto de até 500 reais que é uma ajuda de custo para o transporte; é um incentivo, porque se o voluntário vem e não ganha absolutamente nada ele acaba desistindo e isso é ruim para a rotina.
12. O senhor já esteve nas Câmaras Municipais?
Quando cheguei, fui à Câmara de Paty me apresentar e perguntar como os vereadores poderiam ajudar o SASE. Faço parte do Conselho de Saúde de Paty e sei que é preciso existir uma política pública para os idosos. É necessário que eles estejam inseridos dentro de uma política social e essas parcerias têm sido muito importantes para mostrar isso. Mas quero muito agradecer ao secretário de Saúde de Paty, que sempre socorreu o SASE. Por exemplo, uma idosa quebrou o braço devido a uma queda, e a levamos para a Fundação, e se ela não resolver, o secretário sempre nos ajuda a encontrar uma solução para o problema. Com as vacinas H1N1 foi a mesma coisa; elas acabaram e nossos idosos não tinham sido vacinados. O secretário (Pedro) pediu uma remessa nova do Rio só para nossos idosos e veio uma equipe aqui e vacinou todos nossos idosos. Isso é que é apoio.
13. Eles têm atividade fora da sede?
Este ano levamos um grupo de idosos à Festa do Tomate e foi excelente. Contamos com a apoio da Secretaria de Educação de Paty que nos cedeu o ônibus. Também os levamos à FENART, onde eles puderam aproveitar. Contamos com o apoio da Secretaria Municipal de Educação, Esporte e Recreação de Miguel Pereira, que enviou o ônibus. Gostaria de fazer mais, mas os recursos para isso são muito poucos.
14. De imediato, o que o SASE precisa?
1) Precisamos de uma rampa de acesso, pois os idosos sofrem muito com as escadas. Nós até temos o projeto, que foi feito de forma voluntária. 2) Precisamos da troca do piso, que é muito antigo e hoje está inadequado para o andar dos idosos. 3) A lavanderia precisa de muita coisa, já que está muito ruim. 4) Uma pintura também é necessária. Cada quarto tem uma cor diferente e precisamos uma padronização para unificar isso. 5) Reformar a cozinha e os refeitórios dos idosos também é de total importância e urgência.
Considerações finais
Gostaria convidar os prefeitos e vereadores eleitos para conhecerem o SASE de hoje. Gostaria de agradecer também ao Colégio Estadual Ribeiro de Avelar pela visita que nos fez com os seus alunos. Os idosos amaram. Para complementar, devo dizer que muitos sensibilizam através do Facebook (www.facebook.com/sasepatydoalferes) e entram em contato conosco.