Protestos no Chile e a reforma da Previdência daqui
O que tem a ver as duas situações? Índice de suicídios. Prejuízos no Brasil. Homens 40 anos e mulheres 35.
01/11/2019
Fala Bizerra!
Edição 266
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Depois da Câmara Federal, o Senado Federal aprovou a
reforma da Previdência que vai penalizar mais os trabalhadores e os mais
pobres. No mesmo momento, vemos protestos nas ruas do Chile por vários dias.
O que tem a ver as duas situações?
O que acontece lá é justamente resultado da mesma
política que se quer adotar aqui. Começou pelo aumento na passagem do metrô,
porém é por muito mais. Lá, até a água foi privatizada, além do gás,
Previdência, Saúde, Educação, Transporte e rodovias. Tudo custa caro e a
população empobrece.
Índice de suicídios
O Chile tem o maior índice de suicídios entre idosos,
justamente porque estão vendo suas aposentadorias perdendo valor com o sistema
adotado. As Administradoras de Fundo de Pensão arrecadam muito (até aplicam nas
bolsas de valores) e, na hora de pagar a aposentadoria, dizem que não têm
recursos para melhorar os benefícios.
Muitos aposentados recebem o equivalente a meio salário
mínimo e outros não recebem nada.
Prejuízos no Brasil
A reforma traz vários prejuízos. Mas, podemos citar
apenas alguns, como o cálculo do benefício, que será pela média de todos os
salários (em vez de excluir as 20 menores contribuições).
A reforma iguala o tempo mínimo de contribuição - para
quem já está no mercado de trabalho - em 15 anos para homens e mulheres (que
possuem uma realidade mais difícil com a dupla jornada).
Homens 40 anos e mulheres 35
Ao atingir o tempo mínimo de contribuição, os
trabalhadores que ingressarem no mercado do trabalho terão direito a 60% do
valor do benefício integral. Para ter direito a 100% da média dos salários, a
mulher terá que contribuir por 35 anos e o homem por 40 anos.
O tempo de contribuição vai deixar de existir após as
transições estabelecidas na nova lei. Na verdade, com essa nova Previdência, as
pessoas trabalharão mais e ganharão menos. E ainda poderemos ter o sistema
adotado no Chile, o de capitalização, que está entre as causas principais dos
protestos.
Precisamos dar uma vida digna na velhice a quem trabalha
pelo país por muitos anos. Por isso, defendemos um desenvolvimento econômico
com valorização do trabalho, mais direitos, melhores salários e aposentadorias
decentes para o nosso povo.
Marcelo Bizerra, delegado do Sindicato
dos Comerciários dos municípios de Miguel Pereira, Paty do Alferes e Rio de
Janeiro.Depois da Câmara Federal, o Senado Federal aprovou a
reforma da Previdência que vai penalizar mais os trabalhadores e os mais
pobres. No mesmo momento, vemos protestos nas ruas do Chile por vários dias.