O chefe da carceragem da Delegacia de Polícia de Miguel Pereira era estudante de direito em Valença

O preso chamou o carcereiro e disse: "Nesses anos todos, você disse que a gente tinha que sair pela porta da frente, eu entendi o recado, mas acho que me esqueceram aqui dentro".

 02/10/2020     Pode isso, Arnaldo?      Edição 312
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Arnaldo,

O chefe da carceragem da Delegacia de Polícia de Miguel Pereira era estudante de direito em Valença e tinha um bom relacionamento com os presos. Sempre orientava que eles deveriam sair pela porta da frente, de cabeça erguida e sem dever nada a ninguém.

Entre os presos, tinha um que estava condenado a pouco mais de três anos de detenção em regime fechado. Lá pelas tantas, já se passavam três meses que a pena do preso tinha acabado, e ele já deveria estar solto e sair pela porta da frente.

O preso chamou o carcereiro e disse: "Nesses anos todos, você disse que a gente tinha que sair pela porta da frente, eu entendi o recado, mas acho que me esqueceram aqui dentro".

O carcereiro, sensibilizado, levou o problema para a classe de aula na faculdade de direito de Valença e o professor orientou como o estudante deveria agir para conseguir um habeas corpus.

O aluno, aplicado, entendeu, escreveu, deu entrada no Fórum e o preso foi solto.

Estranhamente, o delegado é que ficou furioso com o servidor atento, estudioso e aplicado.

Pode isso, Arnaldo!?