O caixão de seu Chico

Seu Chico não só já tinha escolhido seu caixão, como já tinha comprado e guardava na venda. O caixão de Seu Chico era todo transado, bonito, cheio de detalhes.

 19/03/2021     Pode isso, Arnaldo?!!      Edição 337
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Arnaldo,

A idade vai chegando e o assunto morte e caixão de vez em quando vem à tona. Pois bem, essa semana lembramos do Seu Chico, comerciante antigo de Mangueiras, Terceiro Distrito de Miguel Pereira.

Seu Chico não só já tinha escolhido seu caixão, como já tinha comprado e guardava na venda. O caixão de Seu Chico era todo transado, bonito, cheio de detalhes. Naquela época, não existiam as facilidades de comunicação que temos hoje, até telefone era difícil, existiam apenas alguns, e funerária lá embaixo nem pensar.

Volta e meia, morria alguém e batiam na casa de Seu Chico, às vezes tarde da noite e mesmo de madrugada. Não tinha hora para pedir o caixão do Seu Chico emprestado. E seu Chico, de coração grande, sempre emprestava.

Ele não queria dinheiro, queria outro igualzinho. E assim as coisas seguiam: morria, Seu Chico emprestava e devolviam outro igual; morria, Seu Chico emprestava e devolviam outro igual.

A ironia da história é que quando Seu Chico partiu dessa pra melhor, não tinha caixão e ele teve que seguir em um outro qualquer...

Mas pelo seu coração grande, seu Chico ficou marcado na história de Mangueiras, em Conrado.

Pode isso, Arnaldo?!...