Sexo sem penetração

Oi!?!??? Mulheres, se vocês me seguem e acham que meu conteúdo faz sentido, nunca mais digam isso, tá?

 18/03/2022     Sexóloga Clarissa Huguet      Edição 389
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Imagina a situação: você está lá com o boy, rola algo simplesmente delicioso; vocês massageiam seus corpos, dão beijinhos em todos os lugares, lambem atrás da nuca, na parte interna da coxa, usam a língua com maestria (afinal, vocês compraram o Manual Lambe Lambe, né) nos genitais. Além disso, usam os dedos e as mãos para estimular sem pressa a vulva e o pênis. Vocês têm um, dois, três orgasmos. Param por aí e dormem de conchinha, felizes em puro deleite.

No dia seguinte, você vai contar para a sua melhor amiga e diz: "Nossa, ontem foi maravilhoso! Nós ficamos horas juntos, senti muito tesão. Nos estimulamos de várias maneiras, mas não chegamos ao fim, não transamos porque não houve penetração". Oi!?!??? Mulheres, se vocês me seguem e acham que meu conteúdo faz sentido, nunca mais digam isso, tá?

Infelizmente, a ideia de sexo "completo" é diretamente associada à penetração, o que decorre do culto ao falo, que é venerado na sociedade falocêntrica na qual vivemos. O pênis e, consequentemente, a introdução do membro masculino na vagina da mulher é considerado o ato principal no lindo baile que é o sexo a dois. Porém, a estatística está aí para provar que não é bem assim, afinal, um número altíssimo de mulheres nunca conseguiu ter um orgasmo ou tem grande dificuldade de chegar ao clímax somente com a penetração.

Nosso corpo é todo erógeno, mas a maioria dos casais acaba caindo no sex mode automático. Beija aqui, lambe ali, enfia, faz o movimento de vai e vem e acabou. Vocês já pararam para pensar no quanto a pele é negligenciada nesse processo sexual empobrecido? A pele é o nosso maior órgão, com incrível potencial bioelétrico, e as pessoas, às vezes, nem se tocam durante o sexo.

Quando o foco sai da penetração como sendo o fim a ser atingido, o casal permite-se pensar fora da caixinha e passa a se estimular de diversas maneiras, explorando outras regiões do corpo. Não existem regras fixas sobre exatamente o que fazer e como fazer, mas o desejo de descobrir novas possibilidades e de, eventualmente, chegar ao orgasmo através de novas carícias. Isto tem um nome: GOUINAGE, ou "sexo sem penetração".

A não existência da fixação na penetração inverte a lógica do jogo e deixa que a criatividade aflore assim como os outros sentidos do nosso corpo.

Vocês consideram sexo sem penetração como sexo não terminado?

Se você quer aprimorar as técnicas do sexo oral e entender muito mais sobre o próprio corpo, compre o melhor e-book já feito sobre o tema: Manual Lambe Lambe. É só acessar o link na bio do Instagram @sexualize_se.


Clarissa Huguet é bacharel em Direito, mestre em Direito Internacional pela Universidade Utrecht, pós-graduada em Educação Sexual pela Unisal e idealizadora do perfil no Instagram @sexualize_se - Contato (21) 99701-7225