Anticoncepcional masculino

A primeira vacina anticoncepcional masculina, que também tem como intuito bloquear a transmissão do HIV

 14/10/2022     Sexóloga Clarissa Huguet      Edição 419
Compartilhe:       

Historicamente, a responsabilidade da contracepção sempre recaiu sobre as mulheres. Desde sempre, pessoas com útero são responsáveis por adotar um dos diversos métodos para evitar a gravidez, incluindo a pílula, injeções ou dispositivos intrauterinos. Todos os métodos possuem efeitos colaterais diversos, e todas nós já sofremos um ou outro, ou vários deles.

Engraçado que as tentativas de desenvolver uma pílula anticoncepcional masculina baseada em hormônios sexuais sofreram problemas no passado, devido a efeitos colaterais em homens, incluindo acne e alterações de humor ? ambos problemas comuns em pílulas para mulheres. Foram ainda relatados outros problemas, como ganho de peso, depressão, também presentes dentre os efeitos que acometem mulheres. Mais uma vez, fica claro como o mundo favorece os homens...

Além disso, os homens possuem, ao alcance das mãos e com distribuição gratuita em postos de saúde, os preservativos que têm dupla função, pois previnem também contra as IST´s (Infecções sexualmente transmissíveis). E Muitos deles "não gostam de usar", dando desculpas sofríveis como: "não cabe", "tira a sensibilidade" etc. Alguns ainda vão mais longe, praticando o "stealthing", que consiste na retirada do preservativo durante a relação sexual, sem o consentimento da outra pessoa, que pode caracterizar o crime de violação sexual mediante fraude, descrito no artigo 215 do Código Penal.

Atualmente, os homens só possuem dois métodos contraceptivos: a camisinha, que apresenta margem de erro, e a vasectomia, que pode não ser reversível em alguns casos.

A primeira vacina anticoncepcional masculina, que também tem como intuito bloquear a transmissão do HIV, deve ser disponibilizada ao mundo nos próximos 12 meses. A previsão foi feita por uma equipe de pesquisadores do Instituto Indiano de Tecnologia, responsável pelo desenvolvimento da substância.

Batizada de "Risug" (sigla em inglês para inibição reversível do esperma sob controle), a injeção está em fase de testes e contém uma substância que tem como função "quebrar" a cauda dos espermatozoides, os tornando incapazes de fertilizar óvulos.

Segundo os responsáveis pela criação, a vacina foi considerada melhor que a vasectomia, por ser menos dolorosa e também reversível, tendo ainda a grande vantagem de não ser baseada em hormônios.

Agora eu lhes pergunto: muito provavelmente teremos esta vacina disponível em 2023. Vocês acham que os homens irão aderir? Ou vão achar que a vacina representará uma ameaça à virilidade e à libido deles e continuarão terceirizando a responsabilidade da contracepção para as mulheres, como se eles não fossem parte fundamental no processo da gravidez?

E aí, vai continuar sobrando para gente ou não?